Coluna MH Artes/J.Estel Santiago-Galerista leva arte contemporânea ao maior evento da América Latina
- Jornal Mauá Hoje
- há 1 dia
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Radicada em Milão, Barbara Magglioco apresenta o trabalho do artista fluminense Daniel Lannes e reforça a inserção internacional da produção brasileira no circuito global da arte

A trajetória de Barbara Magglioco se inscreve no movimento contemporâneo de internacionalização da arte brasileira, articulando produção, curadoria e mercado entre o Brasil e o continente europeu. Após passar por Mauá e atualmente estar radicada em Milão, na Itália, cofundou a Orma Art, espaço dedicado a pensar a arte como linguagem expandida e ferramenta estratégica no circuito contemporâneo.
Com formação em Artes Visuais e História da Arte, especialização em Linguagens da Arte e em formação em Gestão do Patrimônio Cultural, Barbara Magglioco atua como curadora, consultora e art writer, tendo experiências em educação museal, gestão de galerias e organização de eventos culturais.
A vocação de sucesso da galerista se evidencia na participação da Orma na 22ª edição da SP–Arte, principal feira de arte e design da América Latina, realizada anualmente no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Consolidado desde 2005 como um polo estratégico para a circulação e comercialização da arte contemporânea, o evento ocorreu, em 2026, entre os dias 8 e 12 de abril.
No contexto da SP-Arte, Bárbara apresentou, dentre outros artistas, o trabalho de Daniel Lannes (Niterói/RJ, 1981), cuja produção pictórica vem ganhando destaque no cenário internacional. Mestre em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e bacharel em Comunicação Social pela PUC-Rio, Lannes desenvolve uma pesquisa centrada na pintura, explorando atmosferas cromáticas densas e investigações sobre luz e matéria. Sua obra integra importantes coleções públicas, como o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, além de coleções internacionais distribuídas por países das Américas, Ásia, Europa e Oceania.
Nas obras apresentadas pela galeria Orma na SP-Arte, a pintura de Lannes se estrutura a partir de uma tensão entre figura e dissolução, em que o corpo emerge e, ao mesmo tempo, se desfaz na matéria pictórica. A paleta, dominada por tons rosados e variações quentes, constrói uma atmosfera densa e sensorial, enquanto a pincelada, ora mais gestual e diluída, ora mais marcada, evidencia o processo como parte constitutiva da imagem.
Elementos como frutas, tecidos e superfícies domésticas introduzem uma dimensão íntima, quase tátil, que contrasta com a instabilidade das formas e a presença da figura masculina nua. Há, assim, uma oscilação constante entre presença e apagamento, em que a figura não se fixa plenamente, mas se apresenta como algo em trânsito, atravessada pela luz, pela gestualidade que oscila entre o erótico e o contido, e pela própria materialidade da pintura.
Ao apresentar Daniel Lannes na SP–Arte, Barbara Magglioco contribui para ampliar a visibilidade da arte brasileira contemporânea e consolidar sua presença em um circuito cada vez mais globalizado e transnacional.







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