Coluna MH Educação, por Miriam Stampini: Pane no sistema, alguém me REconfigurou.
- Jornal Mauá Hoje
- 29 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Você já parou para pensar no momento exato em que o mundo mudou? A evolução das espécies acontece desde que a vida surgiu, há bilhões de anos, seguindo seu curso natural, lento e silencioso. Mas, de repente, algo rompeu esse ritmo. De alguns anos para cá, as mudanças deixaram de ser sutis — e passaram a ser bruscas, rápidas, quase violentas.
Vivemos a maior transformação dos últimos tempos: a transição do analógico para o digital. E ela não apenas alterou a forma como vivemos, mas modificou toda a nossa sociedade.

A tecnologia bateu à nossa porta. Nós a deixamos entrar. E, antes que déssemos conta, ela estava cuidando das nossas crianças, ocupando nossas horas, ditando nossos horários, substituindo nossas interações corporificadas e moldando nossa maneira de pensar e viver a vida. “Passamos por uma grande reconfiguração e nem percebemos” (Jonathan Haidt. A geração silenciosa).
Acredito que ainda não é possível sabermos exatamente o impacto que o uso constante das telas trará à humanidade. Mas os sinais já estão aí, e eles são bem alarmantes:
O número de crianças e adolescentes que estão sendo diagnosticadas com transtornos mentais cresce de forma assustadora, principalmente a depressão e a ansiedade. Como consequência, aumentam também os casos de automutilação e suicídio em pessoas cada vez mais jovens. É possível observar também em nossos alunos outros prejuízos graves, como a privação social, que tem trazido consequências e dificuldades nas interações olho a olho; noites mal dormidas e sono de baixa qualidade — o que é bem preocupante, já que a falta de sono (de qualidade) compromete diretamente a atenção, a cognição, o equilíbrio emocional e o comportamento; entre outros incontáveis prejuízos…

Mas calma, ainda é possível mudar esse cenário. As escolas brasileiras já deram um passo importante ao proibir o uso de celulares durante as aulas. Porém, as medidas também precisam ser tomadas em casa. Para os pais de crianças pequenas, é essencial saber: o uso de telas não é recomendado até os dois anos de idade e deve ser limitado a uma hora por dia para crianças de 2 a 5 anos. De 6 a 10 no máximo duas horas por dia (conforme orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria). Além disso, crianças não devem ter acesso às redes sociais, e os adolescentes precisam de acompanhamento e supervisão no uso delas.
E o mais importante: incentivem o brincar livre, promovam momentos de interação com os amigos fora da escola, reservem tempo de qualidade e de escuta com os seus filhos. Não queremos um padrão de fábrica, mas também não podemos aceitar uma reconfiguração que coloque em risco a saúde mental de nossas crianças e adolescentes.
Miriam Stampini tem 34 anos, é formada em Neuropsicopedagogia e Psicopedagogia com base na Análise do Comportamento.
Há 14 anos atua na área da Educação.
É Orientadora Pedagógica no Colégio Renil.









Comentários