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Coluna MH Artes/J.Estel Santiago -Arte e Território: exposição do coletivo de artistas de Ribeirão Pires (Carp) revela poéticas do Grande ABC

  • Foto do escritor: Jornal Mauá Hoje
    Jornal Mauá Hoje
  • há 10 horas
  • 2 min de leitura

Com obras que transitam entre o figurativo, o fantástico e a abstração, exposição evidencia a vitalidade da produção artística regional e a força da atuação coletiva


Foto: Recorte de “Omo”, Denis Pinheiro, acrílica sobre painel, 80 cm x 100 cm, 2025. Créd.: Estel Santiago, 2026.
Foto: Recorte de “Omo”, Denis Pinheiro, acrílica sobre painel, 80 cm x 100 cm, 2025. Créd.: Estel Santiago, 2026.

O Teatro Municipal de Mauá, atual sede da Pinacoteca da cidade, abriga até o dia 5 de abril (domingo) a exposição “CARP – Entre Cidades e Olhares”, mostra que reúne obras de 31 artistas do Coletivo de Artistas de Ribeirão Pires (CARP), entre pinturas e esculturas produzidas com diferentes técnicas e linguagens.


Com curadoria de Josy Barbosa, a mostra valoriza a diversidade da produção artística contemporânea regional, além do intercâmbio artístico-cultural entre os dois municípios do ABC.

Ao tensionar a arte enquanto prática relacional e espaço de mediação, a curadoria reúne obras com técnicas diversas – acrílica sobre tela, madeira ou painel; esculturas em metal; esmalte sobre madeiras e pneus; fotografia, entre outras. A primeira saída do CARP de seu município de origem demonstra a força de um coletivo: ocupar relevantes espaços das artes visuais que, muitas vezes, seriam de difícil acesso para artistas atuando individualmente.


Da pincelada presente na obra de Debora Dutra ao emaranhado de correntes e metais nas esculturas de Tuta, a exposição atravessa diferentes linguagens e materialidades. Do lúdico de Josy Dutra ao naïf de Rinaldo Santi, observa-se que Denis Pinho, Evero, Ponezio, Yná e Zé Mario Passos apresentam, cada qual segundo sua própria poética, o retrato dos povos pretos, dos povos originários e de personagens anônimos do cotidiano do Grande ABC. Seguindo essa perspectiva, obras de Leon Santos, Raphael Inoue e Rennan também registram cenas do cotidiano da região

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As artistas Cacau e Lua introduzem a presença do fantástico em obras como “Contato de 2º grau” e “A menina e o fauno”. Já a natureza-morta aparece na produção de Lilian Zampol, Mathias e Silvia Santiago.

Na obra de Dener de Sousa, materiais descartados são ressignificados, processo artístico que também se observa na produção de Dani Maestrelo, que transforma panos, linhas e costuras em arte. Enquanto Vlad Dobrev revisita a Medusa de Caravaggio, Belly aborda questões relacionadas ao universo feminino.


O abstrato fica por conta da obra de Cristina Cruz, Silvio Mendes e Dag Lima, com destaque para esta última, que constrói em sua tela um rico cenário de atmosfera sideral. Gil Mendes traz a crítica social em sua técnica mista. Em contraponto, Martucci, Thayna Lins e Rafaela Kawanishi apresentam composições leves, colorindo, cada qual por meio de sua linguagem visual, seres do reino animal.


No que tange à acessibilidade, a exposição conta com a releitura tátil da obra “Infância saudável”, de Josy Barbosa, realizada pela artista Rita Meireles. Além disso, o descritivo de todas as obras inclui QR codes.


Ao reunir diferentes linguagens, materialidades e sensibilidades, a mostra configura um campo de encontros entre artistas, territórios e imaginários. Nessa proposta de ocupação e percurso cada obra se apresenta como uma possibilidade de leitura do mundo, convidando o público a percorrer múltiplas poéticas e a construir, a partir delas, suas próprias travessias de sentido.


J.Estel Santiago         Foto: Reprodução
J.Estel Santiago Foto: Reprodução



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